quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Os nomes dos pássaros


Pássaros. Depois dos peixes e das cabras eis a terceira classe animal de que vamos falar aqui no blog. Assim sendo, os ... O quê? Nunca falei de cabras? Falei, pois. Naquela vez, naquele post, falei de cabras. Aliás, estou sempre a falar de cabras no dia-a-dia. Houve uma vez que uma cabra aproveitou que eu disse que pagava o que ela consumisse no café, durante o nosso encontro, e pediu um Bailleys. Então já não falei nisso? Claro que falei de cabras ...

Mas adiante. Quando falei às pessoas que ia escrever sobre pássaros perguntaram-me muita coisa. Primeiro perguntaram-me se ia chover amanhã. Depois perguntaram-me se eu tinha algumas galochas de tamanho 43 que não estivesse a utilizar de momento. E depois perguntaram-me se eu gostava assim tanto de animais, se a National Geographic me está a pagar para fazer publicidade aos animais. Apesar de o blog não dar muita publicidade, se algum senhor desses me quiser pagar, terei todo o gosto em fazer uma publicação sobre bois-almiscarados. Certamente teria muito a dizer sobre isso.

Depois de ter dito que era capaz de chover e de ter dito que as minhas galochas eram o 42, disse que não. Apenas pensei durante 3 minutos em como alguns nomes de pássaros eram esquisitos. Além disso, os pássaros devem ser o animal mais amaricado que há. Tal como o estereótipo clássico do homossexual, os pássaros comunicam entre si através do canto e de musicais. E para impressionar a fêmea, o macho faz altas danças de acasalamento e coreografias com as penas ... 

Felizmente o nome 'Gaivota' foge a esta festa da libertinagem que é a passarada toda. A gaivota rouba, ataca, alimenta-se dos mortos e, em grupo, faz um barulhão e impõe respeito a toda a gente. Pensando bem somos os romenos dos pássaros, ninguém gosta de nós em lado nenhum e andamos sempre de um lado para o outro, a comer restos e lixo. Além disso, o nome Gaivota  é o que há mais, é como o Silva ou o Santos em Portugal. Eu chamar-me Gaivota é tão normal e banal como ser-se travesti em Bangock. Ou é Banguecoque? Com esta porcaria de aportuguesar os nomes das cidades e dos países nunca sei escrever. De qualquer modo, sei disto porque foi o Matthew Praias que me disse, que ele esteve lá e sabe dessas coisas. Não se pode dizer que os meus pais tenham sido propriamente originais no nome.

Mas além de Gaivota, eis outros nomes de pássaros que podem dar que pensar a moços que, tal como eu, não têm mais nada para fazer da vida nem moças com quem se entreter, sem ser pensar em coisas estúpidas sobre as quais escrever para gáudio dos nossos quatro assíduos leitores, aos quais qualquer dia vou ter que pagar um Bollycao e um Ucal. O Bollycao é dos simples e eu fico com os cromos, aviso já. Mas vamos lá aos nomes dos pássaros:


  • Garça: aquela senhora idosa do fundo da rua, extremamente amável, que te deseja um 'Bom dia' sempre de forma efusiva e que, volta e meia, quando passas pela janela dela te oferece para entrares e comeres bolinhos acabados de fazer por ela. Anda sempre de avental e os seus destinos na rua estão previamente definidos: mercearia, padaria, talho, peixaria e cemitério;

  • Pardal: aquele gajo que sempre que passas por ele está com uma postura de arrogante e a fazer pose. Deve ter treinado a pose anos a fio. Tudo o que faz, faz cheio de manias, seja a fumar, a ler um livro, a cuspir para o lenço ou a contar as histórias de como era invencível no xadrez quando era mais novo;

  • Albatroz: o pássaro grunho. Ou é grunho ou é daqueles calmeirões que, mesmo sem nunca te terem feito nada, te assustas de os encontrar na rua, à noite, quando estás sozinho. Normalmente anda sempre com um amigo muito mais pequeno que ele, que tem uma voz 200 vezes mais fina do que o seu vozeirão que assusta mesmo que te esteja a dizer bom dia. Provavelmente trabalha no talho como o moço que leva as encomendas a casa das velhinhas, numa oficina como mecânico ou na construção civil. Se não trabalhar, é porque é grunho;

  • Periquito: o amigo caga-tacos e até mesmo irritante do Albatroz. Quando está com ele, é o maior mauzão, só quer armar problemas. É daqueles que se vira para ti e pergunta «estás a olhar para onde?» e, por qualquer motivo dirige-se a ti com um «tás-te a mandar oh mano?». Quando não está com o Albatroz anda na rua a tentar passar despercebido para ver se ninguém lhe enfia um banano a aproveitar a ausência do amigo calmeirão;

  • Rouxinol: o afável funcionário da mercearia, que faz fiado, tem o livro para as pessoas de confiança, quando vão lá, dizerem «ponha na minha conta» e, volta e meia, ainda se oferece para te ir levar os sacos a casa quando estão muito pesados. Nunca percebes bem como é que ele tem lucro na mercearia a oferecer tanta coisa aos clientes habituais, mas o que é certo é que já tem a mercearia há várias gerações e já o pai dele era igual;

  • Melro: o bonitão que tem sucesso com as moças, mas apenas como amigo. É o típico «fofinho», que todas gostam de ter como amigo mas nenhuma o quer para namorado porque é um excelente ouvinte, grande companhia e, ao contrário dos outros pássaros, não se atira às moças. Se houvesse uma friendzone nos pássaros, o melro era sem dúvida o símbolo, tendo em conta que as moças o tratam todas por «Melrinho» ou então «amiguinho». Triste vida;

  • Andorinha: o pássaro que toda a gente goza e humilha. É aquele pássaro que no primeiro dia de escola apareceu lá de sandálias e aparelho a dizer que o futebol era para imbecis e que quando se apresentou à turma disse que o que mais gostava de fazer nos tempos livres era ler e ouvir música clássica. Claro que quando crescer é capaz de ter um emprego de respeito e ganhar o triplo dos outros, mas os colegas de escola, quando passam por ele na rua continuam a dar-lhe cachaços e a dizer coisas do género «então Andorinha, ainda te continuas a mijar nas cuecas?» mesmo que já tenham passado 25 anos;

  • Bico Grossudo: é daqueles moços que tu, ao longe, não sabes bem se é macho ou fêmea e que põe anúncios nos jornais a dizer que vai fazer de ti o escravo do prazer dele/dela;

  • Coruja: aquele ancião que tem sempre altos conselhos para te dar. É aquele que passa por ti, diz que estás muito crescido, que estás um homenzinho e depois te diz sempre algum conselho ou frase filosófica no fim de cada conversa. Ao contrário de outros que fazem o mesmo, não te tenta impingir Bíblias ou enciclopédias, mas apenas te dá conselhos e filosofias de vida pelo prazer da partilha do conhecimento;

  • Corvo: o intruja, aquele dos esquemas. Organiza os maiores esquemas e estratégias e consegue safar-se sempre. Quando alguém se quer safar de alguma coisa vai falar com o Corvo. Se for de confiança ele faz o favor, se não for de confiança finge que não é nada com ele para não ser apanhado. Escusado será dizer que o Corvo quer é distância das gralhas;

  • Gralha: o queixinhas. Na escola é aquele que diz sempre à professora quem é que fez as coisas quando ninguém se acusa. No mundo do trabalho é aquele que dá ao patrão as listas com os que vão fazer ou fizeram greve. E no mundo familiar é aquele que nunca participa nas brincadeiras e ainda denuncia aos adultos quem é que fez o quê. Claro que faz isto acompanhado de uma voz estridente que só dá vontade de o espancar ininterruptamente;

  • Tucano: o emigrante exótico que ao princípio toda a gente na tua rua olha de lado, mas depois de ver que é de confiança até o convidam para as festas, ou porque canta bem ou porque sabe contar boas piadas. Se não fizer nem uma coisa nem outra bem, só é convidado porque nunca roubou ninguém apesar de ser imigrante;

Perante tudo isto resta a pergunta: teria a ex-namorada do Jorge Abel (que eu duvido muito que tenha sido namorada alguma vez, quanto muito foi uma moça que saiu com ele 2 vezes e ele assumiu isso como um namoro) razão ao dizer que Mike Albatroz era um nome poderoso para o blog, em vez de Gary Gaivota? E qual foi a cena do Jorge Abel lhe dizer que escrevia para o blog? Se não fosse eu esta porcaria não tinha estatísticas para o Teófilo ver e me vir dizer como se eu não soubesse ver números ... 




P.S.: Quanto aos bois-almiscarados, já que falei neles ali em cima há uma palavra que gostava de deixar em relação a esse animal: são bois. Até deixei duas, por isso estou extremamente generoso no que toca a animais ... Menos com as cabras.


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Fenómenos típicos da restauração


Voltei, voltei. Acho que havia uma música popular portuguesa que era assim. Estamos em Agosto, é perfeitamente normal que enquanto português saiba músicas populares, visto que não passa outra coisa na televisão, na rádio e nas festas dos concelhos e freguesias. Claro que também passa Pitbull, aquela moça da casa dos segredos e Lucenzo, mas isso não interessa a ninguém.

Fiz umas férias do blog. Primeiro por andar sem inspiração (ainda menos que habitualmente, sim). Segundo, porque fiquei abatido por dizerem que o último post estava fraquinho. Foi o Teófilo. Pois é, afinal não vem só ver as estatísticas, também vem ler e criticar os amigos. Ou ex-amigos ou amantes, não sei bem o que sou para ele. Ele para mim é só o moço das estatísticas que, volta e meia, é amigo. Mas não sei porque estou a dizer isto, pareço uma adolescente a escrever no diário.

Tenho ido comer fora algumas vezes. Não, não sou rico, quando digo comer fora digo para a minha varanda. Mas também fui uma ou duas vezes ao restaurante nestes últimos dias. Digo-vos, há tanta coisa que acontece em restaurantes que podia fazer um post sobre isso! E é basicamente o que estou aqui a fazer. 

Fenómenos então que podes encontrar facilmente num restaurante:

  • Casa de banho de um restaurante que se preze tem que ter algo escrito na porta e nas paredes. O problema é que depois do clássico «Lá fora és o Rambo, mas aqui dentro cagas-te todo», parece que a imaginação destes putos acabou. Agora só escrevem coisas tipo «Namorada puta» ou «Faço bicos» ou «Melhor anal» ou «serei a tua escrava do prazer» ou ainda «farei de ti o meu escravo do prazer» e seguido de um número de telemóvel, normalmente 91. Pergunto-me se há mesmo gente que pensa que isto é verdade e liga para esses números. É que se houver o mundo está mesmo perdido;

  • O que eu mais gosto nos restaurantes é das entradas. Polvo à lagareiro, bifinhos com cogumelos, bifes, bacalhau, em todo o lado servem isso. Agora, de restaurante para restaurante, as entradas mudam sempre: pode ser patê de sardinha ou de atum, queijo curado ou de cabra, rissóis de camarão ou de carne, croquetes ou chamuças, torradas ou tostinhas, camarões ou bolinhos de bacalhau, manteigas ou presunto. Pode ser tudo! E uma pessoa delicia-se com as entradas e vai querendo comer ao longo da refeição. Só que acontece aquele momento em que quando te servem o prato te levam as entradas, mesmo que ainda sobrem. E quando tu notas já é tarde demais e agora só te podes contentar em comer a porcaria do prato que pediste ...

  • Uma coisa que sempre me incomodou nos restaurantes foi os acompanhamentos. É filetes de pescada com arroz e legumes. É alheira com arroz e batata frita. É carapau assado com batata cozida. E se eu não quiser alheira com batata frita??? Nesse caso sou estúpido, mas se quiser uma salada a acompanhar o carapau pago mais 2,50€ pela merda de uma salada. E porquê? Porque o restaurante é que manda que o carapau seja só com batata cozida, o resto é pago à parte. Ou, como eles chamam, a «guarnição». Que parvoíce! Então o cliente não pode pedir o que quiser? E depois, se aceitas pagar mais pela salada, ainda tens que levar com a cara de incompreensão do empregado, como se fosse uma coisa do outro mundo pedir salada a acompanhar o carapau em vez de batata cozida;

  • Está provado cientificamente pelo senso comum que os empregados de mesa são as pessoas mais observadoras do mundo. Conseguem superar mesmo os poetas, que esses perdem muito da observação quando estão a escrever. Isto para dizer que, quando entras num restaurante com uma moça muito boa, todos olham de soslaio para ti e comentam entre eles que ou és muito rico ou levas uma acompanhante de luxo para pareceres bem em público. No entanto, se apareceres no mesmo sítio com uma miúda assim para o feiinha, comentam que ou estás   a fazer algum favor a uma amiga ou um estás num encontro às cegas que correu mal. E fazem sempre interpretações negativas quanto ao homem (falem lá de igualdade agora ...);

  • Se querem falar de factos provados cientificamente, este não é, mas podia ser. Todas as pessoas das outras mesas, quer estejam de saída ou quer estejam a encaminhar-se para aquela que será a «sua» mesa,  olham sempre para o teu prato e para os dos que estão contigo, para ver o que estás a comer e se tem bom aspecto;

  • Muitas vezes questiono-me se alguém respondeu negativamente à pergunta da praxe que um empregado faz sempre, mais ou menos a meio da refeição, quando se dirige à mesa e pergunta «está tudo bom?». Ele está ali a dar a cara por uma coisa que não foi ele que fez e fá-lo como se tivesse sido ele próprio a confeccionar os pratos. Acredito que em 99% dos casos as pessoas respondam «sim, sim, tudo óptimo!» e que desses 99%, pelo menos em 60% alguém esteja descontente com alguma coisa. «O peixe está muito salgado!» diz-se na mesa, mas quando o empregado chega e faz a pergunta, responde-se no segundo a seguir «Sim! Sim! Tudo óptimo!». Claro que depois ou não se volta lá mais ou não se pede o mesmo prato ou, se se pedir, diz-se «da última vez que pedi o carapau, estava muito salgado». Mas nunca se diz isso (que eu veja, atenção!) quando o empregado faz a pergunta;

  • Sou só eu que sou totalmente contra e me sinto completamente desconfortável quando vou a algum restaurante em que é o empregado que me faz o prato e me enche o copo? Só faltava que me limpasse a boca também ou me cortasse o bife em quadradinhos ... Às vezes pergunto-me se o bife custa 12,50€ mas naquele restaurante custa 17€ porque o empregado me faz o prato e me enche o copo. Claro que, apesar de completamente desconfortável com isso, nunca lho digo directamente e tenho que levar com isso até ao fim da refeição;

  • Para acabar, um dos maiores dilemas em ir comer fora é o da gorjeta. Deixar ou não deixar? Quando estaciono o carro em que um arrumador só me indica o lugar e depois fica à espera de moeda, dê 20 cêntimos ou dê 1 euro, sei que tenho que dar, sob a pena de me riscar o carro. E quer dê 20 cêntimos ou 1 euro, ele agradece e não me faz nada ao carro. Num restaurante não é bem assim. Quando se confronta directamente o empregado e se diz «aqui está a gorjeta», ele diz sempre «oh, não era necessário!». Mas quando não se deixa nada, à saída, és fulminado com o olhar reprovador dele. E se voltares a ir lá depois de não teres deixado gorjeta ou és servido de forma mais rude ou então é outro que te serve e esse empregado, sempre que passa, olha para ti de lado. E tudo isto por algo que, segundo ele, não era necessário ...

Bem, e chego ao fim da minha reflexão. Olha Teófilo, se não gostares deste também, escusas de me dizer, guarda para ti, que deprimido já eu estou e não preciso de ti para isso. Quanto aos outros, obrigado por chegarem até aqui ao fim, mesmo que fosse a fazer 'Page Down' sem ler e pensarem que ia fazer uma conclusão que resumisse tudo o que está escrito para trás. Quanto aos que leram tudo até chegar aqui ... Tenho pena de vocês. Admiro-vos, mas tenho pena. É como admirarmos aquele alpinista que subiu aquela montanha mesmo grande mas ficou sem o nariz. Admiro-o, mas tenho pena dele.



P.S.: Continuo a pensar que aquela coisa de «vou fazer de ti o meu escravo do prazer» não li na casa de banho de um restaurante mas num anúncio de jornal, daqueles manhosos que só moços como o Teófilo nas suas horas de maior solidão telefonam. Mas já agora, lembrei-me assim de repente, porque é que em alguns restaurantes, o famoso «WC» é trocado pela palavra «Lavabos»? Nunca percebi bem porquê, mas fica mais chique. WC é para os tascos, Lavabos é para restaurante da pinta ...



quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A diferença entre ser bom profissional e mau profissional


No outro dia encontrei o Raúl na rua e estive a falar um bocado com ele. Quem é o Raúl, perguntam vocês, e perguntam bem porque nem eu sei definir bem quem ele é. O Raúl é daquelas pessoas que tu te dás há bastante tempo para não ser apenas um conhecido, mas não tem a proximidade necessária contigo para dizeres que é um amigo. O Raúl é daquelas pessoas que está naquela zona híbrida que ninguém ainda se importou em definir. Como chamamos a essas pessoas como o Raúl? Companheiro remete um bocado para a vida romântica, parceiro remete mais para os negócios, compincha é um nome um bocado esquisito ... Portanto, se alguém tiver alguma sugestão, que me diga, pode estar a salvar milhares de interacções sociais ainda sem um nome definido.

Mas voltando ao Raúl, disse-me ele que tinha sido despedido recentemente, segundo ele, por ter sido mau profissional. Perguntei-lhe o que era isso de ser mau profissional, ao que ele me disse que respondeu mal a um cliente e que violou o princípio «o cliente tem sempre razão». Alguém além de mim acha este princípio uma parvoíce? Quem é que inventou que o cliente tinha sempre razão? Provavelmente os clientes. Então porque é que os patrões e os empregados seguem este princípio como se fosse uma lei universal e inviolável? E já agora, este princípio está nas leis, é reconhecido por notários como uma lei a respeitar? Estranho mundo este ...

Assim, ainda lançado sobre a temática do último post, volto a debruçar-me sobre o mundo do trabalho e das profissões, desta vez para debater as diferenças entre ser bom profissional e mau profissional. Claro que não estão aqui representadas todas as profissões, só as que me lembrei para este post, não tenho obrigação de pensar em todas as profissões do mundo, deixo isso para os filósofos, se ainda existir algum. É que para mim os filósofos morreram todos, desde para aí 1850 que não há nada sobre que filosofar. Além de que ser filósofo não é vida e não dá futuro nenhum. Mas isso já são coisas do post anterior.

Então, vamos ver a diferença entre ser bom profissional e mau profissional:


  • Psicólogo: ser bom profissional é ouvir, aconselhar e ajudar estranhos por meio de um pagamento pré-acordado. Ser mau profissional é fazer tudo isto a estranhos, fora do local de trabalho e sem receber nada;

  • Empregado de mesa: ser bom profissional é não bater num cliente que se está a armar em superior  contigo e a enxovalhar-te, mas cuspir-lhe no prato. Ser mau profissional é cuspir no prato do cliente errado;

  • Trolha: ser bom profissional é mandar aqueles piropos mesmo ridículos quando passa uma moça daquelas roliças pela rua, à beira do teu local de trabalho. Ser mau profissional é mandar piropos para moços. Ah, e claro, não usar capacete. Mas o primeiro é pior;

  • Barbeiro: ser bom profissional é falar de futebol e/ou de moças enquanto te corta o cabelo da maneira como tu queres. Ser mau profissional é impingir-te um corte de cabelo porque está na moda e não falar nem de futebol nem de moças. Ah, claro, e em vez de se chamar barbearia, chamar-se «cabeleireiro»;

  • Carteiro: ser bom profissional é traçar um perfil às pessoas pelas cartas que recebem e de que instituições recebem. Também é normal ficar com pelo menos um exemplar do «Dica da semana» para levar para casa que aquela porcaria realmente tem mesmo grandes promoções. Ser mau profissional é andar com calções um tamanho abaixo do indicado para si, até porque 95% das mulheres que exercem esta profissão são daquelas a quem calções um tamanho abaixo não ficam nada bem;

  • Comerciante: ser bom profissional é convencer os clientes que os seus artigos são bons e de qualidade, mesmo que sejam uma porcaria, importa é vender. Ser mau profissional é convencer-se a ele próprio que determinados produtos que vende são de qualidade quando na realidade são uma porcaria;

  • Barman: ser bom profissional é minar as bebidas das moças mais roliças para elas irem mais facilmente contigo para a cama. Ser mau profissional é minar a bebida de um moço para o conseguires levar para a cama;

  • Segurança: ser bom profissional é deixar passar à frente de toda a gente os VIP's, as moças mais roliças e aqueles que lhe põem notas de 20 no teu bolso. Ser mau profissional é deixar entrar em alguma circunstância grupos de moças histéricas, alguma gorda que esteja a usar leggins e um top que realça a banha e grupos de moços que estão juntos porque nunca na vida nenhum deles conseguiria companhia para sair à noite sem ser estes amigos bananas;

  • Deputado: ser bom profissional é jogar solitário, freecell ou ver o que se passa no Facebook quando as sessões no Parlamento estão a ser grande seca. Ser mau profissional é conversar no chat do Facebook e jogar poker online com outros deputados, aí já estão a distrair os outros;

  • Polícia: ser bom profissional é ir a clubes de strip com a malta do trabalho sem pagar nada, sob ameaça de fechar o estabelecimento e deter todos os que lá trabalham. Ser mau profissional é deixar lá o distintivo e só reparar nisso na manhã seguinte;

  • Instrutor de musculação / fitness: ser bom profissional é por a mão nas moças e, de certa forma, apalpá-las, com a sua conivência, enquanto lhes explica determinados exercícios. Ser mau profissional é só fazer isso com as velhinhas;

  • Jogador de futebol: Ser bom profissional é jogares bem, num bom clube, não faltares a nenhum treino e teres uma mulher daquelas de causar inveja aos outros. Ser mau profissional é fazeres tudo igual aos outros mas teres uma mulher feia;

  • Esteticista: ser boa profissional (sim, este trabalho é para ser feito POR mulheres e PARA mulheres) é mascar chiclete e usar umas madeixas questionáveis, enquanto conta a sua vida toda e a das outras à cliente que tem pela frente. Ser má profissional é fazer o mesmo às amigas, fora do local de trabalho, gratuitamente;

  • Mecânico: ser bom profissional é cobrar a mais por extras que à partida o cliente pensava que não seria preciso, apenas com o intuito de ter mais lucro. Ser mau profissional é não ter nenhum poster de moças nuas no local de trabalho;

  • Advogado: ser bom profissional é defender clientes em quem não se acredita, mas fazê-lo na mesma porque ele está a pagar os honorários. Ser mau profissional é perder todas as argumentações em que se entra com amigos e com familiares;



Muitos de vocês perguntam-se porque é que eu, enquanto blogger, não reflecti sobre o que é ser bom e mau profissional neste blog. Primeiro, porque se este blog fosse para profissionais o Jorge Abel não andava por aqui e alguém pagava alguma coisa ao Teófilo por ele ir ver as estatísticas. Segundo, porque se este blog fosse algo profissional quem viesse cá ler tinha de pagar para ler o que eu escrevo. E como sem pagar só vêm cá quatro pessoas, se fosse a pagar só cá vinha o Teófilo, porque é meu amigo e além disso tem aquela mania estranha das estatísticas.



P.S.: A sério, se alguém tiver alguma sugestão de nome com que possa definir a minha relação com o Raúl, agradecia imenso. É que ando aqui às voltas e não me ocorre nenhuma palavra para definir esta zona híbrida entre conhecido e amigo.

domingo, 5 de agosto de 2012

Futuros que nenhuma mãe deseja para os filhos



Hoje pus-me a pensar no que é que eu gostava que um filho meu se tornasse. E, contrariamente a tudo o que vocês possam imaginar, essa reflexão não me levou a pensar no que é que eu queria que o meu filho se tornasse, mas no que é que as mães nunca desejariam que os seus filhos se tornassem. Bem e a introdução do post fica por aqui hoje. Não tem que ser sempre três ou quatro parágrafos antes de ir ao que realmente importa, certo? Depois as pessoas vêm aqui, perdem tempo a ler os primeiros parágrafos, alguns desistem e só dois ou três é que chegam ao fim por causa da introdução.


Mais, se eu fosse a um blog que fazia introduções de três parágrafos que não fossem directamente ao assunto, ia lá duas vezes, deixava um comentário a enxovalhar todos os que escrevessem para o blog e depois nunca mais lá ia. Quer dizer, se calhar ia, se fosse algum amigo meu ou algum familiar e eu quisesse fazer o jeito. Não ia ser xunga a esse ponto, não ia fazer como o Matthew Praias, que só para não dar mau aspecto ao Rebelo das metáforas, que também calha de ter uma mercearia e de ter sido mestre de traineira numa altura da sua vida, deixou de vir aqui e nega que alguma vez tenha feito parte disto.


Realmente, percebo-o. Ninguém quer fazer parte de um blog em que se faz sempre três parágrafos de introdução. Esse seria um futuro que nenhuma mãe desejaria a um filho seu. Mas além desse, eis outros futuros que nenhuma mãe deseja para os filhos:



  • Profeta: Além dos rios de dinheiro estourados em sandálias, coitado de quem tivesse que limpar a areia que os profetas trazem sempre com eles. Profeta que é profeta atravessa desertos e então suja sempre os sítios para onde vai com areia. Além disso, nenhuma mãe deseja que um filho seu largue os estudos para andar sempre rodeado de pessoas, algumas delas não propriamente as melhores companhias, para dizer frases filosóficas, andar com a barba por fazer e vestir sempre uma túnica;

  • Mineiro: Comprar calças de ganga  é um martírio, nunca podem ser das boas porque são para estragar. Além disso, não dá para lavar a roupa, que as manchas da rocha não saem. Só fazem detergentes para lama, manchas de sangue e gorduras, para tirar manchas de mina, não há nenhum, estraga-se a roupa toda. Não há mãe que mereça tal coisa, apesar de para um pai, mineiro ser um trabalho altamente revelador da masculinidade do filho;

  • Polícia Sinaleiro: ser polícia é uma boa carreira, trabalho na função pública, ordenado garantido, regalias sociais e boas reformas. Apesar do perigo, compensa. Mas nenhuma mãe deseja que o filho vá para polícia sinaleiro, os polícias a quem menos se passa cartão. Aposto que têm que comprar aquelas placas do Stop à parte se não têm que fazer os sinais todos com as mãos. Por causa disso, é gasto imenso dinheiro em pomadas para os pulsos e pensos para calos, que estão sempre de pé e as botas são desconfortáveis. E depois, faça chuva ou sol, tem sempre que se investir nuns Ray-ban, polícia sinaleiro que é polícia sinaleiro tem que ter uns Ray-ban. Como as hastes se estragam facilmente, para aí de 6 em 6 meses ou é dinheiro em óculos ou é dinheiro em hastes;

  • Farmacêutico: aparentemente é um bom emprego mas tem um reverso da medalha: és o confidente, companheiro do dia-a-dia e até mesmo o desejo sexual das idosas e/ou idosos. Mesmo que sejas asqueroso, como és jovem, és tratado por «menino» ou «menina» consoante o sexo e o penteado que uses. Se isto é mau, arcas também com segredos sobre os outros, testes de gravidez, pílulas do dia seguinte, tamanhos dos preservativos, doenças venéreas. Achas que saber estes segredos todos é engraçado? Experimenta ser farmacêutico e vê o peso que é nos teus ombros ...

  • Dentista: ganhas muito e ganhas bem, certo. Mas nenhuma mãe deseja no seu íntimo que o seu filho exerça uma profissão em que seja considerado o «filho da puta dos médicos» e onde, para o resto da sua vida, vá ver bocas e tratar de dentes das mais variadas pessoas. Só 2% dos dentistas do mundo atendem celebridades e pessoas bonitas, os outros 98% têm que atender velhos, crianças irritantes, sucateiros com os dentes podres e por aí fora. Imagina o que é acabares de almoçar um lombo assado, bem tostadinho, voltas para o teu consultório a levar com bafos de alho e com homens só com 5 dentes e 3 deles podres ... Não há dinheiro que pague isto. Já para não falar na quantidade de alimentos que ias banir da tua alimentação só por os veres na boca das outras pessoas;

  • Jardineiro: nenhuma mãe deseja que o seu filho possa vir a ser o objecto sexual de quarentonas casadas ou recentemente divorciadas e/ou viúvas, que aproveitem a ausência do marido para se satisfazerem com ele. Não sei se isto acontece mesmo ou se ando a ver pornografia a mais, mas de qualquer maneira, acredito que a primeira parte seja real, nenhuma mãe deseja isto ao seu filho, nem mesmo as que fazem isso aos filhos das outras;

  • Carniceiro: além de seres sempre comparado com jogadores de futebol muito fraquinhos e que só dão porrada, toda a gente desconfia que te vás transformar num serial killer e matar adolescentes à lei do cutelo. Quem sabe o que fazes, olha sempre para ti como um carrasco e pergunta-se se serias capaz de fazer o mesmo a pessoas. Tens pesadelos todas as noites em que os animais te estão a cortar vivo às postas. Por último, as manchas de sangue não saem. Os detergentes só removem manchas de sangue humanas, ninguém se preocupou em fazer detergentes que removessem manchas de sangue de animais;

  • Detective: há 60 anos atrás era grande futuro. Mas entretanto, tudo mudou. Agora os crimes são resolvidos por INSPECTORES e não por detectives, estes agora são os «inspectores xungas». Pior que isso, o CSI e todas aquelas séries que dão na televisão vieram mostrar três coisas: 1) que as autoridades policiais resolvem tudo; 2) que as autoridades policiais resolvem tudo porque têm INVESTIGADORES; 3) que já ninguém quer saber nem precisa dos detectives. Já para não falar que para se ser detective tem que se comprar daquelas fardas que custam para aí 30 contos e nenhuma mãe quer dar 30 contos por uma farda que não vai servir de nada;

  • Figurante: todas as mães desejam que o seu filho seja feliz. Ninguém é feliz quando é figurante. Quando se convida alguém para se ser figurante é a mesma coisa que dizer que a pessoa serve bem para fazer número e que estraga tudo se falar ou se se mexer. Ser figurante é como os boxers e as cuecas: compram-nos para que cumpram a sua função sem ninguém notar neles, são bons para fazer número, mas só por mero acidente é que alguém os vê. Claro que isto dos boxers deixou de ser um pouco verdade hoje em dia com aqueles moços que andam com as calças quase pelos joelhos;

  • Podologista: se nenhuma mãe deseja que o seu filho seja dentista, muito menos deseja que acabe por ser podologista. Entre um e outro, uma mãe pagava dois cursos em Medicina Dentária antes de pagar um semestre em Podologia. A minha mãe sempre me disse que não se devia mexer nos pés, acredito que as mães dos podologistas lhes tivessem dito o mesmo, mas eles, quais filhos rebeldes, recusaram-se e ainda fizeram disso vida;

  • Judoca: aqui estou a falar das mães do mundo ocidental, que isto lá para a Ásia é um dos maiores sonhos, que o seu filho (ou filha) se tornem judocas. Alguém que seja asiático, sem treinar, ganha no judo facilmente a um europeu que treine judo há 10 anos. Está-lhes no sangue saber judo, matemática, comer sushi e gostar de computadores. Mas nenhuma mãe do Ocidente deseja isso para o seu filho: que faça um desporto onde 98% da população mundial não sabe as regras e não passa cartão a esse desporto e onde, por muito bom que seja e por muito que treine, quando luta contra algum asiático perde sempre. Para além do mais que aquela porcaria dos kimonos custa um dinheirão e nenhuma mãe oferece roupa para andarmos a limpar o chão com ela. Pelo menos era o que a minha mãe me dizia;

  • Meteorologista: o que é que fazemos quando damos de cara no elevador com um vizinho com quem raramente falamos? Falamos do tempo. Pois claro, fazemos isso para passar aqueles eternos 25 segundos que demora a viagem de elevador. Quando acaba a tortura da viagem, esquecemos a porcaria do tempo e voltamos a centrar-nos na nossa preenchida vida. Pois, para os meteorologistas, o tempo é a sua conversa de todos os dias, o seu objecto de estudo, o seu ganha-pão. Deviam sentir-se orgulhosos por ser à custa deles que milhões de pessoas mantêm conversas todos os dias? Sim. Deviam sentir-se felizes por terem que estudar o tempo e falar sobre o tempo durante 8,9 ou 10 horas por dia? Não. Já para não falar que toda a gente que os conhece e sabe o que fazem dizem sempre coisas tipo «então Jerónimo, amanhã chove ou não? Não sabes? Então não és meteorologista? Que raio de nome de profissão, podiam chamar-se 'tempeiros', assim toda a gente sabia logo o que vocês eram. Mas diz lá se vai chover amanhã, que vou pescar e preciso de saber se levo impermeável ou não'. Para os outros não és meteorologista, és o adivinho do tempo.

  • Otorrinolaringologista: nenhuma mãe deseja que o seu filho tenha uma profissão que nem ela, nem 85% das pessoas conseguem dizer à primeira ou segunda tentativa. A mãe diz sempre que o seu filho é médico. Quando lhe perguntam a especialidade diz «é otorrino». Que infeliz é a mãe que não sabe dizer a profissão do filho por completo por o nome ser tão esquisito e comprido. E que infeliz é o filho que tem mais letras na sua profissão do que pacientes num ano.


Por tudo isto, para não correr o risco de desiludir a minha mãe com nenhuma destas profissões, decidi estar e ficar desempregado. Acredito que nenhuma mãe o deseje para o seu filho, mas entre estar desempregado e estas todas, prefiro estar desempregado. Imaginem que eu era meteorologista e além da tristeza de toda a gente no trabalho me falar sobre o tempo e de os meus vizinhos, mal me virem entrar em casa, me abordarem com perguntas sobre a temperatura e a ondulação, ser colega de trabalho do Jorge Abel ... Acreditem, ainda bem que estou desempregado.






P.S.: O post é um bocado longo, eu sei, mas também com três parágrafos de introdução queriam o quê?

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Descobri a pass do meu e-mail



Olá gente que não quer saber de mim há três meses e nem sequer pergunta por mim. Olá blog, já não te via há algum tempo. Olá Ray. Olá quatro leitores do blog. Olá estatísticas, desculpem estar a falar com vocês, sei que só o Teófilo vos pode ver, mas digo-vos olá. Estou de volta.


Descobri a pass do meu e-mail. A partir dela descobri que tinha originalidade, era bastante difícil de a descobrir. Por isso agora pus uma mais fácil. Não é a minha data de nascimento, isso era fácil demais. Ou difícil, que aposto que ninguém daqui a sabe. Mas que perdi eu durante todo este tempo em que estive ausente por aqui? E o que é que vocês perderam? Tanta coisa! Vou contar de forma resumida o que me tem acontecido nestes três meses:


Primeiro fiquei de certa forma perturbado por ver que tanto se discutiu aqui no blog coisas que não eram do meu conhecimento. Decotes para homem? Preservativos de mulher? O que vem a seguir? Nem quero pensar. Mas toda esta conversa faz-me lembrar o Matthew Praias. Onde está ele? Desapareceu? Voltou às Bahamas? Foi raptado por um daqueles moços como o Ramiro mas mais agressivo? Nunca mais escreveu e nunca mais o vi lá no ginásio. Não é que ande lá, mas moro em frente e via-o todos os dias, agora não. Havia de ser bonito eu no ginásio, a ir para lá com camisolas de lã e a fazer aulas de abdominais...


Agora uma história que tenho para vos contar. Saí recentemente de uma certa desilusão amorosa que me fez crescer muito. Pelo menos fez-me crescer em infelicidade e na quantidade de comprimidos que tenho que tomar para as dores emocionais. Mas tudo acabou quando ela me disse que eu não tinha sentido de humor. Como assim eu não ter sentido de humor se escrevo aqui para o blog??? Falei-lhe então nisto ...


Contrariamente ao que eu estava à espera (notam a minha evolução? Já começo frases com «contrariamente», isto de se sair com moças tem as suas virtudes...) este não foi um argumento forte. Ela perguntou logo «aquele blog em que escreve lá um Pinguim?». Claro que respondi logo «Gaivota», mas ela não se deixou ficar e disse: «é a mesma coisa, voam, são aves, andam no mar, que é que isso interessa?». E foi aqui que eu fiquei desconfiado.


«O pinguim não é um mamífero? Como a baleia ...», indaguei eu com alguma suspeita (indaguei, topem bem este vocabulário ...). «És mesmo burro Jorge Abel» respondeu-me ela. «Ao menos tenho sentido de humor», disse eu para me defender. «Se dizes isso é porque és burro», rematou ela (rematou, vêem? Não disse «conclui», que isso era facílimo. Toma lá, Verónica. Diz quem é o burro agora ...).


Fiquei um pouco perplexo e perguntei «E o blog? Não conta?». «É muito fraquinho. Mais valia escrever lá um Mike Albatroz, isso sim era um nome que fica no ouvido». Com esta surpreendeu-me. «Que é isso albatroz?», perguntei eu. «És mesmo urso, Jorge Abel», respondeu ela. Urso ... Nunca ninguém me tinha chamado urso. Paneleiro, estúpido, come-merda-às-colheres, filho da puta, otário, tone, banana, nabo, cara de cu, piolhoso, corno, burro e até bexigoso mas nunca urso. Serei eu, Jorge Abel, um urso? E fiquei-me com este pensamento até entrar em casa e o meu irmão me dar um soco. 


Deu-me um soco porque ainda estou desempregado. Tem sido o pretexto dele nos últimos dias. Diz que a resolução de Ano Novo dele é bater nos desempregados, mas acho que é mentira porque a minha mãe não trabalha há 17 anos e ele nunca lhe bateu. Só achei curioso ele lembrar-se da resolução de Ano Novo agora em fins de Julho, mas ainda vai a tempo, nisso tem ele razão. Voltando a falar de trabalho, cheguei a trabalhar num talho durante uma semana mas toda a gente me gozava a dizer que eu estava o dia todo à beira de carne ao dependuro. Isso nem era o pior. O pior foi ter sido despedido. Pelos vistos dois moços que trabalharam lá antes de mim foram de férias para as Ilhas Caimão com 20 mil euros e não voltaram ao talho.


Ilhas Caimão. Nem sabia que isso existia. E ainda acho que não existe. Perguntei ao meu tio se conhecia as Ilhas Caimão e ele disse que eu parecia o Tonecas sempre a fazer perguntas e que o Tonecas era um pedófilo disfarçado de criança e toda a gente lhe achava piada e que as únicas ilhas que eu devia conhecer eram as dos Açores e da Madeira. Fiquei sem saber se existiam ou não as Ilhas Caimão. Nome esquisito esse. Mas por falar em nomes esquisitos ... Que é isso da rentrée do Teófilo? O meu tio sempre me disse para desconfiar de quem fala francês sem ser mesmo francês. São homossexuais, diz ele. Claro que ele não disse «homossexuais» mas «paneleiros» e «frutinhas», eu é que não quis baixar o nível, que já disse muitos insultos ali atrás, ainda que não tenha sido mesmo eu a dizer.


Em minha casa toda a gente me goza por estar desempregado. Menos o meu irmão, que esse ao menos só me bate. O meu terapeuta diz que deve encarar isso como algo motivacional, mas não sei até que ponto consigo. De certeza sabem quem é o meu terapeuta. É o Dr. Phil, aquele da televisão. Não perco um programa. Outra coisa que o meu irmão faz, além de me bater, é de me inventar profissões. Umas vezes faz de mim carteiro e diz «oh Jorge Abel, leva esta encomenda». Outras faz de mim jardineiro e manda-me apanhar uma cepa. Ainda faz de mim agricultor ao mandar-me comer uma pêra, volta e meia talhante, quando me diz «olha bem este bife» e até mesmo chulo «fica com esta puta para ti». A esta hora já todos devem ter percebido que  todas estas situações acabam sempre comigo a levar grandes coças do meu irmão. O meu pai diz que isso me fortalece o carácter, o meu tio diz que fortalece o do meu irmão. A minha mãe diz que também gostava de participar e acaba mesmo por o fazer.






P.S.: Já agora, oh Gaivota, estás aí cheio de vontade do regresso do Teófilo, quero ver quem me vai felicitar pelo meu regresso, que foi primeiro que o dele. E eu não escrevia desde Março, não é desde Dezembro como ele. E dizes tu, todo contente, que ele agora só vem aqui ver as estatísticas? Isso faz dele mais inútil que eu num encontro com uma moça. A sério, no outro dia tive um encontro e não sabia bem o que estava ali a fazer. Passado um minuto a rapariga virou-se para mim e perguntou «já sabe o que vai pedir?» e eu ainda não sabia. Quando soube o que queria, já tinha que pedir a um moço. Triste destino este. 


segunda-feira, 30 de julho de 2012

Personagens de desenhos animados que encontras na realidade



É Verão. Está calor. O Teófilo não se despacha a fazer o regresso dele, planeia mais do que aqueles vilões dos filmes que planeiam alto ataque a não sei o quê durante anos mas são sempre descobertos no último segundo. Já falei nisto no post anterior? A sério? Ando mesmo a ver muita televisão ...


Por falar em televisão, os filmes do Hollywood já os devo ter visto a todos. Alguns deles mais que uma vez até. O pior é que nem me lembro que vi e só quando acaba é que me lembro que já tinha visto aquele filme. No Fox Movies igual. Por isso decidi explorar novos caminhos e novos canais e voltei a consumir de forma capitalista desenhos animados. Já não me lembrava de quão completos podiam ser os desenhos animados, com tantas mensagens subliminares e metáforas da sociedade. 


Não, não venho para aqui dizer que os contos da Disney fomentam o racismo nem vou fazer aquelas interpretações todas sexuais. Nada disso, apenas vou mostrar como algumas personagens de desenhos animados são facilmente encontradas em pessoas reais, na vida real. Vejam vocês mesmos e podem escrever alguma que falte nos comentários se me quiserem achincalhar em público e revelar as minhas falhas enquanto escritor no blog, algo que o meu amigo Teófilo tem evitado a todo o custo voltar a ser:



  • Suneo (Doraemon): aquele amigo rico que se gaba que vai a muitos sítios e que tem algum irmão, primo ou tio muito importante que lhe abre as portas todas, que vai a todo o lado e o leva com ele ou então traz-lhe grandes presentes. Vive numa casa muito superior à tua e atira-te isso à cara. Por vezes desejas ser como ele ou estar no lugar dele, mas depois voltas a conformar-te com a tua vida;

  • Shizuka (Doraemon): a precursora daquilo que se chama hoje a «friendzone»;

  • Hércules (Dragon Ball): os armantes que batem nos fraquinhos acham que são invencíveis. Depois aparece alguém que vale alguma coisa, enche-lhe a mala e ele vê-os como se fossem mutantes ou uns super-heróis, com uma força estupenda. Só nunca pensa é que ele é mesmo fraquinho;

  • John Arbuckle (Garfield): o típico homem solteiro, que vive sozinho, azarado com as mulheres e em todas as situações do quotidiano, que tal como o cliché indica, compra um gato para viver consigo mas até o gato lhe dá festival e o coloca em situações embaraçosas. De alguma maneira acredito que o futuro do Jorge Abel será mais ou menos assim;

  • Baloo (O Livro da Selva): porque toda a gente tem um amigo que é um urso;

  • Milhouse (Simpsons): aquele rapaz que na teoria as raparigas deveriam gostar: faz tudo por elas, venera-as, gosta delas de forma indefectível só que como é banana e toda a gente goza com ele e lhe bate, as raparigas não lhe passam cartão, principalmente a que ele gosta;

  • Moe (Simpsons): o típico taberneiro de que ninguém quer saber a não ser que nos sirva bem e, volta e meia, ofereça alguma bebida ou faça fiado. Quando começa a desabafar os seus pensamentos e sentimentos ninguém quer realmente saber e só presta atenção para ter alguma bebida à borla num futuro próximo por ele pensar que é nosso amigo;

  • Mary Jane (SpiderMan): aquela vizinha de sempre, que é muito boa mas que nunca nos passou cartão até termos ficado com grande corpo ou termos conseguido algo de extraordinário na vida. A partir daí, começa a não nos largar e até se torna chatinha;

  • Rafael (Tartarugas Ninja): aquele que sempre que tu planeias ou organizas alguma coisa diz que vai correr mal e te chateia até já não o poderes ver à frente. Apesar de estar sempre a ser negativo nunca sai de nenhum plano e, no fim, quando tudo corre bem, fala como se nunca tivesse duvidado do que se ia fazer de início;

  • April O'neill (Tartarugas Ninja): a típica jornalista intrometida, que arrisca a própria vida só para mostrar histórias em exclusivo para o seu canal moribundo e para salvar a sua carreira. Depois têm que ser sempre os outros a evitar que se meta em problemas de maior só por ser curiosa;

  • Ciclope (X-Men): o Toy falou neste tipo de pessoas, naquela música que ele tem, a «Sensual», em que diz que «até o teu simples olhar me faz mal». O do Ciclope mata mesmo;

  • Jasmin (Aladino): a típica menina rica que se apaixona por um sucateiro só porque é diferente dela e, de certa maneira, para irritar o papá rico. Depois casa-se com ele e ele está garantido para a vida toda.

Se sou infantil por ver desenhos animados? Acho que não. O que se calhar me torna infantil é fazê-lo enquanto como frascos de nutella com os dedos e depois limpo à t-shirt que estou a usar. Antes de começar a fazer maratonas de desenhos animados tinha para aí seis t-shirts brancas, agora só tenho cinco. Não sei o que aconteceu à outra, provavelmente emprestei-a aquela moça que veio cá dormir no outro dia... 




P.S.: Bah, quem é que eu quero enganar? Não veio cá nenhuma moça dormir no outro dia, a outra t-shirt branca tive que a deitar fora que estava cheia de manchas de Nutella na parte da frente por eu limpar lá as mãos quando quero mudar de canal. Se calhar sou mesmo infantil. Não digam a ninguém, senão vou ser como o Lynch, aquele amigo do John Arbuckle que também vive sozinho com um animal de estimação e o Garfield faz dele o que quer quando ele vai lá a casa. O que significa que no futuro, além de viver sozinho vou ser o amigalhaço do Jorge Abel. Merda de vida ...


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Coisas que só acontecem nos filmes

Falamos de provérbios da outra vez. Já lá vai uma semana, eu sei, mas que querem? Roma e Pavia não se fizeram num dia. Ah pois é ... Isto de ter andado a fazer pesquisa de provérbios populares fez-me aprender muita coisa e a mudar muitos dos meus comportamentos. Quer dizer, na prática foi só para justificar o porquê de ter demorado uma semana a voltar a dizer porcaria aqui no blog, mas também serve.


A verdade é que esta semana foi de expectativa. Porquê? Fácil: o Teófilo prometeu voltar a escrever, mais do que vir aqui ver as estatísticas e que há moços das Filipinas a virem aqui ao blog. Sendo assim estive na expectativa, não queria estragar o grande reaparecimento do Teófilo com um post meu sobre qualquer coisa cansada que não interessava a ninguém. Mas como a vida do Teófilo é um filme e ele às vezes é um daqueles realizadores medíocres em que o enredo se torna chato e previsível, já sei que ele não vai voltar e então decidi eu avançar.


Por falar em filmes, tenho visto alguns ultimamente. Principalmente porque tenho tido mais tempo livre, também porque tenho tido insónias mas essencialmente porque sou um daqueles moços que chega ao Verão e não tem uma moça com quem fazer aquelas coisas que os moços que têm moças fazem com elas. Não sei se está confuso, mas se estiver nem me vou preocupar a tentar explicar. Quem perceber, percebe, quem não perceber, quero lá saber. Pensando bem, acho que é por isto que não tenho moça...


Adiante, que o tema não é a minha vida amorosa mas sim filmes. Tenho visto bastantes como disse e tenho reparado em várias coisas que acontecem de forma sistemática nos filmes. O mais fácil era pegar pelo CSI e dizer que eles descobrem tudo através das pistas e que os laboratórios dos gajos funcionam em tempo recorde. Mas primeiro isso era ser repetitivo e depois isso não é um filme. Sendo assim, eis algumas coisas que eu só vejo acontecer nos filmes e não na vida real (se no final desta lista alguém de vocês os três tiver mais alguma ponha nos comentários para toda a gente que vier aqui me possa enxovalhar por causa das minhas falhas):

  • Uma pessoa pode estar quase a morrer, mesmo no limiar da morte, mas aguenta-se até chegar uma determinada pessoa com quem tem que falar lhe dizer alguma coisa importante. Só depois de fazer isso é que morre, quase instantaneamente;

  • Ter lembranças em que se consegue ver o plano todo da situação, de vários ângulos e inclusivamente a cara da própria pessoa que recorda;

  • Há sempre um hacker capaz de desbloquear qualquer sistema de segurança seja ele qual for;

  • Nenhuma fechadura é inquebrável ou inviolável quando há interesse em entrar em algum edifício;

  • Toda a gente que usa uma arma pela primeira vez fá-lo como se fosse um profissional e acaba por acertar em quem quer sem que lhe acertem primeiro;

  • É impossível esconder vestígios de sangue ou de pólvora, mesmo que se queime a roupa e se desinfecte tudo duas vezes. Vendo bem, quase todos os «mauzões» são apanhados dessa forma;

  • Quando os bandidos estão a atirar sobre alguém falham os tiros todos e os que acertam ou são de raspão ou são na perna, que é para não magoar muito;

  • Quem acorda de um coma profundo levanta-se e anda como se nada fosse e como se só tivesse estado a dormir há 10 horas;

  • Fazer ligação directa a um carro é facílimo e resulta sempre. Mais que isso, consegue-se fazer em menos de 1 minuto;

  • Está-se perante uma bomba em contagem decrescente para rebentar há 75 minutos mas só se desarma a bomba no último segundo. Ultimamente alguns filmes desistiram deste cliché do «salvar o Mundo no último segundo» e então desactivam a bomba quando faltam 3 segundos;


  • Qualquer plano maquiavélico, por muito consistente e metódico que seja, falha porque há sempre alguém capaz de o descobrir e impedir que seja levado adiante;

  • Há sempre uma mulher caridosa que aceita ajudar um desconhecido que lhe faz um pedido extravagante e extremamente arriscado, que pode deixá-la em perigo de vida. Depois, ameaça sempre que o vai abandonar mas no fim acaba por se apaixonar por ele (e em 90% das vezes não morre mesmo, ainda mata uns mauzões e depois ainda vai viver com ele);

  • As crianças são sempre muito mais maduras e os adolescentes são muito mais insuportáveis que na realidade;

  • Ser baby-sitter é um emprego altamente sustentável e com uma elevada taxa de empregabilidade;

  • As perseguições de carro feitas a alta velocidade e até em contra-mão nunca provocam atropelamentos nem acidentes a não ser aos maus da fita;

  • Nas situações mais críticas existe sempre alguém poliglota que é capaz de traduzir o que os outros estão a dizer e desbloquear uma situação que de outra maneira seria impossível de compreender;

  • Os super-heróis, em vez de estarem a prevenir grandes golpes ou a evitar o terrorismo, estão a evitar assaltos em esquinas. Aliás, só o facto de serem «super-heróis» é algo que só acontece nos filmes;

  • As prostitutas de rua são todas mulheres bonitas e com grande corpo;

  • Frequentemente os amigos saem-se com frases profundas e filosofias de vida que levam à reflexão;


Nada do que relatei aqui aconteceu na minha vida em qualquer circunstância. Acredito que aconteça na dos outros, mas sobre a vida dos outros não me pronuncio. Posso é dizer que se tiveres um amigo que te diga que já lhe aconteceu alguma coisa que está nesta lista é sinal de: 1) o teu amigo vê muitos filmes ou 2) o teu amigo é actor. E quanto ao último ponto é credível porque os filósofos não tinham amigos e eram pessoas muito solitárias, que criavam filosofias de vida não para os amigos e familiares mas para todos no geral.




P.S.: Ter um amigo que te promete sistematicamente que vai fazer algo em grande e depois acaba por nunca fazer também podia fazer parte desta lista, mas decidi não colocar desde que o Teófilo me disse que ia voltar a escrever para o blog e entretanto não vejo nada por aqui sem ser delírios alucinatórios da minha parte. Como me aconteceu, não acontece só nos filmes. É isso e moças a pedirem bebidas caras em bares porque sabem que vou ser eu a pagar. Também dizia que isso só acontece nos filmes mas não. Acontece mesmo no dia-a-dia.